Semana passada fiz a mesma pergunta para várias pessoas sobre a decisão de desistência de Tiago Fernandes no Challenger de Pernambuco e pedi uma análise especial de quem entende do negócio, Rafael Westrupp é técnico de tênis, Presidente da Federação Catarinense de Tênis e consultor da Dunlop aqui no Brasil e hoje este post é dele, nosso convidado! Valeu Rafa! Galera, deixe a sua opinião.
Pessoal,
Me permito muito pouco a usar qualquer espaço para escrever e/ou opinar por algum determinado assunto. Mas então por que resolver escrever agora? O fato, é que por mais que pareça o contrário, o mundo do tênis é extremamente pequeno, quando se refere ao alto rendimento. Neste última semana, MUITAS pessoas questionaram a o meu ponto de vista sobre a ausência do Tiago Fernandes na final do torneio challenger de Recife. Comentar sobre jogadores, treinadores, é no mínimo anti-ético. Pouco ou nada interessa o grau de relação com os atores do texto. Mas, vamos aos fatos: Tiago Fernandes chega à sua primeira decisão de um torneio relativamente grande, e não comparece à final, alegando cansaço.
Como já mencionei acima, não seria ético comentar a decisão, mas sim levantar possíveis fatores que o levaram à tal decisão. Foi um torneio desgastante para todos, e principalmente para aqueles que atingiram as semifinais. Recife é uma cidade quente e úmida, o que por si só já desgasta em demasiado os atletas. As interrupções, e uma incrível e necessária troca de superfície das quadras, em função do mau tempo insistente, geram um desgaste além do físico: EMOCIONAL. A espera por decisões do supervisor e da organização sobre o futuro do torneio diante de tanta interferência climática, causam uma ansiedade tremenda, pois o atleta fica vulnerável a ansiedade e expectativa pela espera do jogo.
A partida de quartas-de-final, disputada pelo Tiago Fernandes, foi uma verdadeira batalha. Do outro lado,como adversário, o não menos qualificado Guilherme Clezar. Gui, para quem não sabe, nasceu no dia 31 de dezembro de 1991. Se tivesse nascido um dia depois, ainda disputaria a categoria juvenil, assim como Tiago.
O duelo foi decidido no tié-break do terceiro set, com longas quase 3 horas de partida. Tiago atingiria assim, a sua melhor performance em torneio challenger.
Na semi final, um jogo de juventude X experiência, contra o “guerreiro” da vida, Júlio Silva. Mais 3 horas de jogo e mais uma vitória, atingindo no mesmo torneio, a sua melhor marca: FINAL em challenger.
Aí vem a decisão (surpreendente), mas aceitável.
Aceitável porque acredito que temos de analisar fria e pontualmente. Tenho visto muitas comparações, que sinceramente acredito não levar lugar algum. Li comentários, que comparam com Rafa Nadal nas quartas-de-final do Aberto da Austrália, que sentiu uma lesão mas seguiu a partida até o final. Li ainda, que Tiago NUNCA chegará aos TOP #20. ABSURDO, ABSURDO! Não por dizer que Tiago não chegará, mas um absurdo as comparações.
Tiago é jovem sim, é trabalhador, e com certeza sentiu muito em ter de desistir na final. Aparentemente não apresentou lesão, mas para tomar tal decisão, ele juntamente com seus técnicos (ele não treina só com Larri. Treina também com Marcus Bocão) escolheu o que foi melhor pra si.
Prova disso, é que havia programado jogar 3 torneio em sequência, e jogou apenas o segundo da série (Blumenau), e nesta semana (18/04), não vai jogar em Santos.
No mais, considero levianos os cometários, mas os aceito, pois imagino que sejam oriundo de leigos e aficcionados……
Abraço,
Rafael Westrupp